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Indústria registra melhora do consumo e mantém ritmo lento de recuperação, mostra pesquisa da CNI
Leve reação dos indicadores de produção, emprego e estoques reforça a necessidade de o país prosseguir com as reformas estruturais e criar um ambiente mais favorável aos negócios

Por FIERO
Publicado 22/10/2019
Atualizado 22/10/2019
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aRQUIVO - AGÊNCIA bRASIL

A atividade industrial está se recuperando gradualmente. Os empresários já percebem uma leve melhora no consumo e na situação financeira das empresas. Além disso, o ritmo de queda na produção em setembro foi inferior aos registrados para o mês desde 2014 e o emprego subiu 0,4 ponto em relação a agosto, informa a Sondagem Industrial, divulgada nesta terça-feira, 22 de outubro, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Conforme a pesquisa, o indicador de produção ficou em 48,8 pontos e o de emprego alcançou 49 pontos em setembro. Ambos estão abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa o aumento da queda na produção e no emprego. Mesmo assim, o indicador de utilização da capacidade instalada ficou estável em 69% e o índice de estoques efetivos em relação ao planejado caiu para 51,4 pontos, mostrando que se reduziu o excesso de estoques do setor. “O emprego e o nível de estoques desejados em relação ao usual melhoraram. Esses são indícios de que a melhora no mercado de trabalho tem se refletido na demanda interna, com impacto na atividade industrial”, diz a Sondagem Industrial. 

No entanto, a CNI alerta que os indicadores atuais ainda estão distantes dos observados antes da recessão. “Essa situação reforça a necessidade de continuidade dos esforços de reformas estruturais e melhoria do ambiente de negócios, de modo a superar os entraves que limitam o ritmo de expansão atual”, destaca a pesquisa. “Depois da reforma da Previdência, é preciso fazer a reforma tributária e implementar ações que ajudem a empresas brasileiras a ter custos competitivos e recuperar mercados. Entre essas medidas estão os avanços nas privatizações para melhorar a infraestrutura, a redução dos custos dos financiamentos, a desburocratização e a busca de acordos com outros países que facilitem o acesso aos mercados externos, como o do Mercosul com a União Europeia”, diz o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. 

PRINCIPAIS PROBLEMAS – O número de menções à falta de demanda interna diminuiu de 41,1% no segundo trimestre para 34,6% no terceiro trimestre. Mesmo com a queda de 6,5 pontos percentuais, a demanda interna insuficiente continua sendo o segundo principal problema enfrentado pelas indústrias brasileiras e perde apenas para a elevada carga tributária, que recebeu 44,7% das assinalações no terceiro trimestre.

Em terceiro lugar no ranking de principais obstáculos aparece a falta de capital de giro, com 18,2% das menções. A falta ou alto custo das matérias-primas ficou em quarto lugar, com 17,6% das respostas, e a competição desleal, com 17,3% das menções, é a quinta colocada da lista.

SITUAÇÃO FINANCEIRA – A situação financeira das empresas também melhorou no terceiro trimestre. O índice de satisfação com o lucro subiu 2,2 pontos em relação ao trimestre anterior e ficou em 42,3 pontos no terceiro trimestre.  O índice de satisfação com a situação financeira aumentou 1,5 ponto e alcançou 47,2 pontos no terceiro trimestre. Os dois indicadores continuam abaixo da linha divisória dos 50 pontos que separa a insatisfação da satisfação com a situação financeira e com o lucro. Mas estão acima dos valores registrados nos últimos três anos.

Os empresários também notam melhora no acesso ao crédito. O índice de facilidade de acesso ao crédito subiu 0,8 ponto frente ao segundo trimestre e ficou em 40,4 pontos no terceiro trimestre. “A alta do índice para acima dos 40 pontos sinaliza uma tendência de melhora importante, aproximando-se dos valores registrados em 2013, última vez em que o índice se encontrou neste patamar”, observa a Sondagem Industrial.

EXPECTATIVAS E INVESTIMENTOS -  A pesquisa também mostra que os empresários mantêm o otimismo. Todos os indicadores de expectativas continuam acima dos 50 pontos, mostrando que os industriais esperam o aumento da demanda, da compra de matérias-primas, do número de empregados e das exportações nos próximos seis meses.

Isso melhorou a disposição para os investimentos. O índice de intenção de investir subiu para 54,1 pontos neste mês. O indicador é 3,2 pontos maior do que o registrado em outubro de 2018 e está 4,8 pontos acima da média histórica. O índice de intenção de investimentos varia de zero a cem pontos. Quanto maior o índice, maior a disposição das empresas para investir.

Esta edição da Sondagem Industrial foi feita de 1º a 11 de outubro com 1.962 empresas. Dessas, 803 são pequenas, 689 são médias e 470 são de grande porte.

Fonte: FIERO

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