Rolim de Moura,

Hamilton descarta boicote na Bélgica, mas apoia protesto contra racismo
Na última quarta-feira, esportistas das grandes ligas americanas tomaram uma decisão inédita e revolucionária e boicotaram seus jogos.

Publicado 28/08/2020
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Principal voz dentro da Fórmula 1 contra o racismo, o piloto inglês Lewis Hamilton mostrou-se orgulhoso nesta quinta-feira dos boicotes realizados por esportistas dos Estados Unidos após o ataque sofrido por Jacob Blake, um homem negro, por um policial branco. Apesar de elogiar a atitude em diversas ligas profissionais americanas, o hexacampeão mundial afirmou que não vai aderir ao movimento e confirmou a sua presença no GP da Bélgica, o sétimo da temporada de 2020, neste final de semana.

Hamilton ressaltou que opta por se comprometer com a causa de outras formas na prova deste domingo no circuito de Spa-Francorchamps. "O que eu vou fazer? Não sei se fazer algo aqui na Bélgica teria o mesmo efeito, eu não estou nos Estados Unidos. Não sei se faremos algo especial para a corrida. Mas precisamos conversar para ver o que fazer para aumentar a conscientização sobre essa batalha. Acho incrível o que está acontecendo nos Estados Unidos com tanta gente. No meio esportivo, comentaristas. Há muita gente promovendo mudanças e é uma pena que não haja uma reação importante. Como esporte, devemos estar unidos. Estou ao lado deles", disse.

Na última quarta-feira, esportistas das grandes ligas americanas tomaram uma decisão inédita e revolucionária e boicotaram seus jogos. Atletas da NBA e WNBA (basquete), MLB (beisebol) e MLS (futebol) recusaram-se a entrar em campo ou quadra por conta do ataque sofrido por Jacob Blake, rapaz negro desarmado atingido por sete tiros nas costas por um policial branco em Kenosha, no estado de Wisconsin.

O piloto da Mercedes também avaliou o engajamento da Fórmula 1 nos protestos antirracismo. A cerimônia causou polêmica quando muitos colegas de pista não quiseram se ajoelhar antes das corridas. Depois, Hamilton criticou a categoria por não incluir a homenagem no cronograma do final de semana, após muitos pilotos se ausentarem do protesto diante do grid no GP da Hungria, em julho.

"Ainda vou tentar falar com a Fórmula 1 para ver o que mais poderemos fazer para continuar aumentando a conscientização, seguir ajudando a impulsionar (os protestos). Naturalmente, acho que, como esporte, todos nós precisamos estar alinhados, todos nós precisamos apoiar uns aos outros", afirmou o britânico.

"Primeiro, teremos de conversar sobre isso juntos para continuarmos a conscientizar sobre a batalha, todos temos de estar alinhados. Por enquanto, ainda não conversei com ninguém, mas tenho orgulho do que os atletas estão fazendo nos Estados Unidos. Estou ao lado deles", concluiu.

Durante a temporada de 2020, a Fórmula 1 vem promovendo protestos antirracistas antes das corridas, mas sete dos 20 pilotos (Max Verstappen, Kimi Raikkonen, Charles Leclerc, Antonio Giovinazzi, Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat e Kevin Magnussen) não têm se ajoelhado, um símbolo antirracista. Depois de um protesto desorganizado na Hungria, Hamilton criticou duramente o francês Romain Grosjean, presidente da Associação dos Pilotos (GPDA, na sigla em inglês) por não tomar uma posição firme e, nas corridas seguintes, os atos foram reorganizados.

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