Rolim de Moura,

Bolsonaro reafirma prorrogação do auxílio emergencial e acena ao agronegócio
O presidente compareceu, neste sábado (29), à inauguração de uma usina solar de uma deputada do Centrão, em Goiás. Ele disse que o Governo passa por "restrições orçamentárias sérias", mas o anúncio deve ser feito na próxima terça-feira (1º)

Publicado 30/08/2020
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Após uma semana de reuniões com ministros, incluindo o da Economia, Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reafirmou, neste sábado (29), que o Governo Federal pretende prorrogar o auxílio emergencial pago a informais e desempregados até o fim deste ano, com um valor menor que os R$ 600 atuais, mas superior a R$ 200.

Aliado do presidente, o líder do Centrão, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), disse que a oficialização acontecerá na próxima terça-feira (1º). O Governo deve prorrogar o auxílio com quatro parcelas de R$ 300, valor que é defendido por Bolsonaro.

O presidente participou de uma cerimônia pública de inauguração de uma usina solar do Grupo DiRoma, de propriedade da deputada do Centrão Magda Mofatto (PL-GO), dona de um patrimônio declarado de R$ 28 milhões, em Caldas Novas (GO). A dois dias de enviar ao Congresso Nacional a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021, Bolsonaro disse que o Governo passa por restrições orçamentárias sérias.

A Esplanada vive uma disputa política interna por recursos, que, na última sexta-feira (28), levou o Ministério do Meio Ambiente a dizer que paralisaria o combate a incêndios e desmatamento, por causa do bloqueio de verbas. Depois da declaração do ministro Ricardo Salles, o Governo anunciou o desbloqueio.

"Ele (o auxílio emergencial) é pouco para quem recebe e muito para quem paga. Vocês gastam por mês R$ 50 bilhões neste auxílio. Nós pretendemos, com um valor menor, que obviamente não será R$ 600, mas também não será R$ 200, prorrogá-lo até o fim do ano e com isso fazer com que a economia volte à sua normalidade", ressaltou Bolsonaro sobre a prorrogação.

De olho no apoio do agronegócio, o presidente também citou, durante o evento, a construção de ferrovias e disse que até o fim deste ano ou no começo do ano que vem o Governo deve concluir a Ferrovia Norte-Sul, do Maranhão ao Porto de Santos (SP). Ele também citou obras da Fiol, da Malha Paulista e da Transnordestina.

"Estamos fazendo o possível com os poucos recursos públicos que temos. O Brasil é um País que deve muito e gostaríamos de fazer muito mais, mas temos restrições orçamentárias bastante sérias", afirmou Bolsonaro.

Na inauguração, o governador Ronaldo Caiado (DEM) foi vaiado seguidas vezes por populares. Aliado de Bolsonaro, ele havia se distanciado e anunciado rompimento com o presidente por divergências na condução das ações de saúde contra a Covid-19, mas se reaproximou nos últimos meses. "O presidente Bolsonaro, depois de Juscelino Kubitschek, foi o que mais investiu no Estado de Goiás até o momento", disse. Ruralista histórico, Ronaldo Caiado destacou a atenção do presidente com o setor rural.

Renda Brasil

A ideia do Governo é que a extensão do auxílio seja uma transição para um "pouso suave" no Renda Brasil, que substituirá o Bolsa Família e ainda está em estudo pela equipe econômica, que tenta encontrar fontes de recursos para o novo programa.

O anúncio do Renda Brasil ficará para um segundo momento para que Guedes tenha mais tempo para encontrar espaço para acomodar o novo gasto dentro do teto, que limita o avanço das despesas à inflação. O presidente quer um plano que não inclua a revisão ou a extinção de outros benefícios, como o abono salarial, por exemplo.

O auxílio emergencial foi criado originalmente para durar três meses - tendo como base os meses de abril, maio e junho. Depois, o Governo prorrogou o benefício por duas parcelas - julho e agosto - por decreto. O valor de R$ 600 foi mantido. Para alterar o valor, será preciso a edição de uma medida provisória, que tem vigência imediata.