Rolim de Moura,

Em Vilhena idoso aciona Corregedoria da PM e diz que foi preso injustamente, mesmo tendo sido vítima de uma agressão
Homem de 63 anos passou horas preso, com sede e fome

Publicado 14/01/2021
Atualizado 14/01/2021
A A

Um idoso de 63 anos, que faz uso de medicação controlada e reside no Setor 19, em Vilhena, fez uma denúncia formal junto à corregedoria da Polícia Militar, após passar mais de 05 horas em uma cela na Unidade Integrada de Segurança Pública (UNISP), sem comer e nem beber, mesmo se dizendo vítima de um crime de vias de fatos.

O idoso, que não se negou a revelar seu nome, mas que será mantido sob sigilo para sua proteção, procurou a reportagem revoltado com a situação humilhante que teve que passar, apesar de não ter cometido nenhum crime e o próprio registro da ocorrência relatar que ele foi de fato a vítima.

Como narra o registro do caso, o idoso chegou em casa por volta das 10:00h de sexta-feira, 08 e se sentou em uma cadeira na frente de sua residência, momento em que foi procurado por uma vizinha, que tinha acabado de se envolver em uma ocorrência de perturbação de sossego com outro morador, inclusive com o comparecimento da Polícia Militar no local.

Segundo o idoso, a vizinha lhe pediu um capacete para levar a filha a um local que ele não se recorda, momento em que percebeu que o vizinho da casa da frente, que possui apenas 20 anos e que já teve problemas com vários moradores, sendo inclusive o envolvido na ocorrência anterior, passou a lhe encarar.

“Acredito que ele pensou que a vizinha estava me pedindo pra testemunhar a favor dela, mas nem em casa eu estava quando tudo aconteceu”, relatou o idoso.

Neste momento, antes mesmo que pudesse se levantar para atender a solicitação da vizinha, o jovem invadiu seu quintal e, em posse de um pedaço de madeira, tentou golpeá-la na cabeça, sendo impedido pela mulher, que levou o capacete que segurava no sentido contrário ao golpe.

Neste momento, o idoso, que possui dificuldades de mobilidade, se levantou e pegou a cadeira de plástico para se defender de uma nova tentativa que pudesse partir do rapaz, porém, como outro idoso de 70 anos, que reside ao lado também interveio na situação, o agressor se virou contra ele e também o ameaçou.

“Como ele estava descontrolado, os vizinhos chamaram a Polícia Militar, que chegou aqui e nem quis ouvir minha versão, já colocou nós dois na viatura e levou pra delegacia, onde fiquei sem almoço e sem beber água por mais de cinco horas”.

O idoso, que apresentou o pedaço de madeira com o qual o jovem tentou contra sua vida, e que segundo ele os militares se negaram a recolher, afirmou que chegou a pedir água para o filho e que os policiais civis foram informados, porém nada fizeram.

“Estou revoltado, pois se a vítima é tratada como bandido, de que adianta chamar a Polícia Militar pra nos defender?”, questionou o idoso.

Diante dos relatos do homem e após ter ciência do conteúdo do boletim de ocorrência, registrado como “vias de fato”, onde ele, assim como seu agressor aparecerem como autores, a reportagem do site falou com o comandante da guarnição e este relatou que o chamado dava conta de um embate violento entre ambos, por isso os dois receberam voz de prisão e foram colocados em celas até serem ouvidos.

Já o delegado à frente do departamento da Polícia Civil informou que, no dia dos fatos, houve muita demanda para os plantonistas e que é seguida uma ordem de atendimento conforme os registros vão entrando no sistema e que neste caso em questão, o boletim foi entregue cerca de duas horas depois.

No entanto, o delegado não descartou que pudesse ter ocorrido um levantamento prévio dos fatos, mesmo que o registro da ocorrência ainda não tivesse sido transcrito para que as partes pudessem ser ouvidas, fato este que só não ocorreu mesmo devido à demanda do dia, confirmando ainda que o jovem envolvido, realmente foi apresentado na delegacia em outra ocorrência horas antes.

Já o comando da Polícia Militar afirmou que somente após a denúncia formal na corregedoria por parte do idoso, que já o fez, iriá poder analisar o caso e apurar o que de fato aconteceu.

“Além de ter sido colocado em uma cela sendo a vítima, o rapaz foi ouvido e liberado primeiro que eu, que fiquei quase o dia todo preso”, concluiu o idoso.

Fique ligado!

Quer receber nossas notificações?